Resumo rápido: o Tesouro Prefixado trava uma taxa de juros fixa no momento da compra, o que dá previsibilidade de quanto você vai receber no vencimento, mas expõe o investidor à inflação e à oscilação de preço se vender antes do prazo. O Tesouro IPCA+ paga uma taxa real fixa mais a variação da inflação (IPCA), protegendo o poder de compra ao longo do tempo. A escolha entre os dois depende do objetivo: Prefixado tende a fazer mais sentido para metas de curto e médio prazo em cenário de juros altos e expectativa de queda da Selic; IPCA+ é mais indicado para objetivos de longo prazo, como aposentadoria, em que proteger o dinheiro da inflação é prioridade.
O que é o Tesouro Prefixado?
O Tesouro Prefixado (LTN e NTN-F) é um título público federal em que a taxa de juros é definida no momento da compra e permanece fixa até o vencimento. Se você compra um título a 12% ao ano, sabe exatamente quanto vai receber no vencimento, em termos nominais, independentemente do que acontecer com a Selic ou a inflação depois da compra.
Essa previsibilidade tem uma contrapartida: se a inflação subir mais do que o esperado, o ganho real (descontada a inflação) do Tesouro Prefixado pode ser menor do que o imaginado no momento da compra.
O que é o Tesouro IPCA+?
O Tesouro IPCA+ (NTN-B e NTN-B Principal) paga uma taxa de juros real fixa somada à variação do IPCA, o índice oficial de inflação do país. Isso significa que, independentemente de a inflação subir ou cair depois da compra, o investidor está protegido: o rendimento sempre vai superar a inflação do período pela taxa real contratada.
É, por isso, considerado um dos investimentos mais indicados para objetivos de longo prazo e para quem quer preservar o poder de compra do dinheiro ao longo dos anos.
Os dois têm risco de preço antes do vencimento?
Sim, ambos sofrem marcação a mercado: se você vender antes do vencimento, o preço pode estar acima ou abaixo do que você pagou, dependendo da variação das taxas de juros no mercado. Essa oscilação costuma ser mais intensa no Tesouro Prefixado e no Tesouro IPCA+ com prazos mais longos — títulos de vencimento distante (como 2035 ou 2045) variam de preço mais do que títulos próximos do vencimento. Se o investidor levar o título até o vencimento, a marcação a mercado deixa de importar: ele recebe exatamente a taxa contratada na compra.
Tabela comparativa: Tesouro Prefixado vs. Tesouro IPCA+
| Característica | Tesouro Prefixado | Tesouro IPCA+ |
|---|---|---|
| Tipo de rentabilidade | Taxa fixa nominal | IPCA + taxa real fixa |
| Proteção contra inflação | Não | Sim |
| Previsibilidade do valor final | Alta (em termos nominais) | Alta (em termos reais) |
| Risco de marcação a mercado | Sim, se vender antes do vencimento | Sim, se vender antes do vencimento |
| Melhor uso | Metas de curto/médio prazo, cenário de juros em queda | Longo prazo, aposentadoria, preservação de poder de compra |
| Tributação | IR tabela regressiva (22,5% a 15%) | IR tabela regressiva (22,5% a 15%) |
| Garantia | Tesouro Nacional (governo federal) | Tesouro Nacional (governo federal) |
Quando escolher o Tesouro Prefixado?
O Tesouro Prefixado costuma ser mais atrativo quando a taxa de juros oferecida já está em um patamar considerado alto e há expectativa de queda da Selic nos anos seguintes — nesse cenário, travar uma taxa fixa elevada pode significar um ganho real maior do que o esperado se a inflação vier controlada. Também é mais indicado para metas com prazo definido e relativamente curto, em que o investidor já sabe quanto vai precisar e quando.
Quando escolher o Tesouro IPCA+?
O Tesouro IPCA+ é a escolha mais recomendada para objetivos de longo prazo, como aposentadoria ou independência financeira, justamente porque elimina a incerteza sobre o que vai acontecer com a inflação nas próximas décadas. Ao garantir uma taxa real acima do IPCA, o investidor sabe que seu poder de compra vai crescer, não importa o que aconteça com os preços no país.
Posso ter Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ ao mesmo tempo?
Sim, e essa combinação é comum entre investidores que querem equilibrar previsibilidade nominal de curto prazo com proteção de longo prazo contra a inflação. Muitas carteiras de renda fixa usam os dois títulos para objetivos diferentes dentro do mesmo portfólio.
Qual rende mais, Prefixado ou IPCA+?
Depende do que acontecer com a inflação no período. Se a inflação ficar baixa, o Prefixado tende a entregar um retorno real maior, porque travou uma taxa nominal alta sobre uma inflação menor do que a esperada. Se a inflação surpreender para cima, o IPCA+ protege melhor o investidor, porque seu rendimento acompanha o índice. Não há como saber de antemão qual vai vencer — por isso a diversificação entre os dois é uma estratégia comum.
O Tesouro Prefixado e o IPCA+ têm taxa de custódia?
Sim, os dois têm a taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano sobre o valor dos títulos, isenta para o investidor com até R$ 10 mil investidos no Tesouro Direto.
Este conteúdo tem caráter educacional e informativo, não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não garante resultados futuros. Antes de investir, avalie seu perfil, seus objetivos e, se necessário, consulte um profissional habilitado.


